É com muita satisfação que a ATM divulga a recente publicação de um artigo científico da Coordenadora da ATM em São Tomé, a Bióloga Sara Vieira, em co-autoria com o Biólogo Samir Martins da ONG BIOS.CV sediada na ilha da Boavista, Cabo Verde, Dra. Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, Dr. Adolfo Marco da Estação Biologica de Doñana e Dra. Alexandra Chícharo do Centro de Ciências do Mar (CCMAR).

 

Biochemical Indices and Life Traits of Loggerhead Turtles (Caretta caretta) from Cape Verde Islands

(Sara Vieira, Samir Martins, Lucy A. Hawkes, Adolfo Marco, M. Alexandra Teodósio)

 

Pode encontrar o artigo completo ao "clicar" no título

 

Para um interesse mais leigo tentamos explicar a seguir de forma simplificada o tema deste artigo:

 

Este artigo é focado na espécie Caretta caretta, vulgarmente conhecida como Tartaruga Comum ou Tartaruga Bôba ou Cabeçuda.  

A população alvo deste artigo é a população de Caretta Caretta que nidifica em Cabo Verde, mais especificamente na Ilha da Boavista, e que é hoje em dia reconhecida como a terceira maior população mundial desta espécie.

A tartaruga comum é a principal espécie de tartaruga marinha a desovar nas praias de Cabo Verde. Só não se pode dizer a única, devido a recentes ocorrências de desova muito raras e pontuais de outras espécies no arquipélago, como é o caso da tartaruga verde (Chelonia mydas).

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           Tartaruga Comum (Caretta caretta)

 

O principal objectivo deste estudo foi avaliar a utilidade do indíce bioquimico RNA:DNA como potencial preditor da taxa de crescimento recente e condição fisiológica em fêmeas reprodutoras de tartaruga comum (Caretta caretta) da ilha da Boavista, Cabo Verde e na sua prol. 

Todos os seres vivos possuem nas suas células estes 2 tipos de ácidos nucleicos que são portadores do código genético, o DNA e o RNA.

Enquanto que o DNA é constante nas suas células desde que o organismo nasce até ao final dos seus dias, o RNA varia consoante as condições ambientais no qual este se encontra inserido. Uma vez que o RNA é responsável pela síntese proteica da célula, a sua quantidade irá variar com a alimentação, estilo de vida e saúde do organismo. Desta forma um ser que se alimente muito bem, terá uma quantidade de RNA superior a um indivíduo que tenha uma menor disponibilidade de alimento, e consequentemente terá um índice RNA:DNA inferior ao primeiro indivíduo.

     (Os biólogos Samir Martins e Sara Vieira)

 
Este estudo agarrou em 2 pressupostos quase absolutos graças a inúmeros estudos realizados no campo da ecologia desta espécie, e testou pela primeira vez a utilidade deste índice bioquímico em tartarugas marinhas no seu meio natural.

Tais pressupostos foram: o facto das fêmeas desta espécie pouco ou nada se alimentarem ao longo da sua temporada de desova e o facto de existirem 2 tipos de fêmeas que desovam em Cabo Verde, tartarugas mais pequenas associadas a áreas de alimentação oceânicas (junto às ilhas Canárias) e tartarugas de maiores dimensões associadas a áreas de alimentação ao longo da plataforma continental ocidental africana.

Ao longo deste estudo verificou-se que a condição fisiológica das fêmeas nidificantes decresce ao longo da temporada de desova e que fêmeas associadas a áreas de alimentação na plataforma continental apresentam uma melhor condição fisiológica do que fêmeas associadas a habitats oceânicos.

 

Desta forma, concluiu-se que o índice bioquímico RNA:DNA é uma importante ferramenta como potencial bio-marcador de crescimento recente nas tartarugas marinhas. 

 

 

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